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3D sem óculos? Conheça a tecnologia Autoestereoscópica

9 de setembro de 2010 | Em Dicas | 181,5 mil visualizações | Por

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programacao 3dVocê, com toda certeza, ouve falar a todo instante em Tecnologia 3D. Na sua TV, no rádio, na internet, nos cinemas, ou seja, em todo lugar. Você já pode ter experimentado de perto essa tecnologia, mas ainda pode não saber de suas origens, seu funcionamento (explicação técnica), muito menos o que há de vir. Normalmente, o 3D apresentado em TVs e Cinemas necessitam daquele óculos de duas cores. Mas saiba que este “equipamento” está com os dias contados. A tecnologia promete levar imagens tridimensionais sem necessidade de filtros nos olhos.

Primeiro de tudo, vamos explicar o conceito da terceira dimensão em sinais gráficos. Basicamente, Imagens 3D são imagens de duas dimensões elaboradas de forma a proporcionarem a ilusão de terem três dimensões. Qualquer representação gráfica de um objeto apresenta-se com duas dimensões – 2D (altura e largura), mas com o auxílio de óculos especiais que transmitem uma imagem diferente para cada olho, assim alterando o ângulo de cada um deles e fazendo com que o cérebro crie a ilusão de profundidade, ou com o auxílio da computação gráfica entre outros recursos, pode-se fazer com que a figura dê a impressão de apresentar, também, profundidade, o que dá maior semelhança com o objeto representado.

Imagine você com uma câmera fotográfica comum, mas tirando duas fotos do mesmo objeto, sendo que a segunda foto você desloca poucos centímetros para o lado (tanto faz se é esquerdo ou direito). É mais ou menos isso que o 3D faz. A primeira foto seria enviada para o olho esquerdo, por exemplo, e a segunda foto seria enviada para o olho direito, onde cada olho visualizará sua devida imagem. Mas ambas as fotos seriam enviadas “ao mesmo tempo” para nós (pelo menos é o que parece ser feito a olho nu quando olhamos) e o nosso cérebro então enterpreta o seguinte: estamos vendo apenas uma imagem, mas com efeito de profundidade.

foto3d oculosO que os óculos 3D fazem, ao certo, é: cada cor serve para filtrar as imagens embaralhadas e estranhas que aparecem na tela. Os filmes são feitos com duas camadas de cor, uma precisando ser vermelha e a outra variava entre o verde e o azul. Basicamente, cada olho enxerga cada cor, fazendo o nosso cérebro ser “enganado” e levando-o a interpretar ambas as imagens como uma só. O problema disso tudo é que, como as imagens são exibidas em duas cores predominantes, a cor final do filme estaria ligeiramente prejudicada, além, é claro, do desconforto de ficar usando aquele óculos a todo instante.

A tecnologia Estereoscópica 3D convencional

O 3D Estereoscópico atual, digital, diferente do antigo, analógico. Com certeza foi um enorme avanço na área (e também nos custos). Existem dois tipos de 3D digital:

  • Aquele usado nos cinemas atualmente (por ser mais barato), que utiliza óculos polarizados que filtram a imagem vista. A imagem na tela ainda é mostrada embaralhada, e cada lente dos óculos filtra a imagem exibida para cada olho, apenas recebendo ondas de luz diferentes.
  • Aquele usado nas TVs 3D atuais. Também necessitam de óculos, mas estes óculos são equipados de visores LCD no lugar das lentes. Em cada lente (visor) é mostrada uma imagem, para cada olho, assim dando a impressão de profundidade. Mas a TV precisa ter uma alta taxa de atualização (os chamados quadros por segundo, ou mesmo os Hertz).

Para se ter uma noção, o olho humano enxerga apenas 30 quadros por segundo. As TVs padrão possuem uma taxa de 60Hz, ou seja, 60 quadros por segundo. Isso nos dá uma sensação de imagem muito mais fluída, nítida. Para termos a mesma sensação, mas em 3D, a TV precisa ter uma taxa de atualização de 120 quadros por segundo (120Hz). Ou seja, 60 quadros por segundo para cada olho. Por este motivo que sua TV não pode reproduzir imagens em 3D digital.

imagem 3dO mesmo se aplica a monitores 3D para computadores. Estas TVs com óculos de visores LCD possuem a tecnologia defendida pela Sony, que tem trabalhado há anos na atual tecnologia 3D e vendido as novas linhas de TVs 3D Sony Bravia. Para você ter uma ideia, uma Sony Bravia 3D de 52” aqui no Brasil será vendida por uma média de R$ 12.999. A TV tem acesso à internet wireless, sensor de presença (desliga quando não há telespectadores) e várias outras funções. Acompanha, também, um Blu-ray player 3D e dois filmes nesta mídia.

Junto com essas TVs 3Ds (não necessariamente da Sony) poderá ser usado o PlayStation 3 com a atualização de firmware mais recente, que nos dá a opção de jogar alguns games em 3D. Vale lembrar que nem todo jogo é compatível com 3D, mas a Sony tem trabalhado arduamente para que os próximos títulos sejam compatíveis com a tecnologia. Dentre os títulos, encontram-se LittleBigPlanet 2, GranTurismo 5 e Killzone 3.

O problema disso tudo é que a exibição de um título em 3D baixa drasticamente a performance do jogo. Lembram-se dos gráficos fenomenais do Killzone 2? Agora imaginem estes gráficos melhorados, mas em 3D. É lógico que requer mais desempenho do console. Os jogos atuais são rodados a 60 frames por segundo, e para exibir 3D precisariam rodar a 120 quadros por segundo. Muito, não?

Não só no mundo dos videogames, mas até para os amantes de 3D que já equiparam seu computador com este pensamento, não deverá devolver o escorpião ao bolso, pois acredite: a configuração deve ser no mínimo excelente para rodar um jogo no seu máximo potencial. Falando um pouco por experiência própria: tenho uma XFX GeForce GTS 250 de 1GB, e tem jogos que com a tecnologia nVidia Stereoscopic 3D rodam perfeitamente bem em altas resoluções. Porém, existem jogos que rodam com um FPS (quadros por segundo) muito baixo, o que torna a jogabilidade extremamente inviável. Portanto, se você ainda não equipou seu micro e está de olho nas novidades, fique atento e procure sempre a melhor configuração de hardware possível. Vai precisar.

Por dentro da Tecnologia Autoestereoscópica 3D

Falamos muito da Tecnologia Stereoscopic 3D convencional. Agora, vamos falar mais sobre a Autostereoscopic 3D. Esta é a tecnologia que a Nintendo está apostando no seu novo console portátil, o Nintendo 3DS, anunciado oficialmente na E3 há algumas semanas. A tecnologia dispensa totalmente o uso de óculos especiais. A empresa pioneira nestas telas é a Sharp. Quem esteve anos atrás na Globaltech, em Porto Alegre, deve se lembrar de algumas destas telas pela feira, exibindo imagens 3D simples. Com a tecnologia melhorada, é hora de aplicá-la ao mundo dos games.

imagem renderizada 3dA tela usada especificamente no 3DS não foi revelada pela Nintendo, que deseja guardar os segredos do portátil a sete chaves até o momento do lançamento. Mas pelo que podemos notar grande parte das pessoas que viram o portátil afirmam que se trata da tecnologia patenteada pela Sharp, que se chama Parallax Barrier. É como se na tela do dispositivo existissem vários “buraquinhos”, e a luz que saísse por trás desses buracos fosse direcionada para um olho em específico, dando assim o efeito de profundidade nas imagens mostradas.

Há também quem diga que a tecnologia não é perfeita, pois depende da pessoa se posicionar de um jeito em específico para conseguir “sentir” o efeito 3D. Mas há algo que pode ajudar nisso: uma câmera pode captar o movimento dos olhos e configurar o efeito 3D de acordo com os olhos da pessoa (isso é chamado de Eye Tracking). Talvez isso possa ser usado no 3DS, levando em consideração que há uma câmera frontal.

Se o futuro dos games está no 3D, este futuro está um pouco distante. Nada está perfeito ainda. A melhor tecnologia disponível, sem dúvidas, é a da Sony. O efeito gerado nesses óculos é muito mais fiel e parece não causar muitos problemas. Mas é extremamente inviável ficar horas e horas com aquele “quatro olhos”. Pior ainda para pessoas que usam óculos de grau. E imaginem se você costuma jogar aquelas partidas multiplayer com seus amigos? Deverá então comprar um óculos caro para cada um?

O ideal, para um futuro realmente em terceira dimensão, é que sejam mescladas ambas tecnologias. A fidelidade e qualidade do 3D com óculos com toda a praticidade e viabilidade do 3D sem óculos. Outro fator importantíssimo é o desempenho. Expliquei acima o por quê de exigir mais do console ou computador, devido a taxa de atualização dobrar. Portanto, fica aí uma grande dica aos desenvolvedores: criem os jogos em terceira dimensão mas, além da qualidade, prezem pelo desempenho. Ninguém merece pagar o olho da cara em uma placa de vídeo (como eu, por exemplo) e ver um jogo tão belo parecer estar sendo jogado em um computador inferior.

Conclusão

tv 3d las vegasTudo em tecnologia é um grande experimento. Com 3D não é diferente. As tendências são lançadas a todo momento. Fabricantes ultrapassando fabricantes, produzindo produtos com base nas tecnologias já desenvolvidas, aprimorando-as e criando um universo de novas possibilidades.

Ainda é cedo para dizer se realmente o 3D Autoestereoscópico será uma tecnologia bem-sucedida e presente em todos os lares. Como tudo que é novo, exigirá um investimento maior.

Quanto aos fabricantes, eles estão exercendo suas devidas obrigações. Mas e quanto a nós, consumidores, como ficamos? Estamos sentados aguardando as novidades? Sim, mas isso não é tudo. Você pode, também, opinar a respeito. Abaixo desta matéria existe um formulário. Envie seu comentário e, com certeza, algum fabricante estará vendo e, quem sabe, sua ideia inspire novas tendências. Participe!

De Ivaiporã/PR, Engenheiro de Computação, Administrador do Grupo Dicas em Geral. Apaixonado por Tecnologia e Informática.



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